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Por José Edgar de Matos — São Paulo 

Weverton e a correção de decisões do árbitro pela tecnologia impediram uma noite traumática

abel weverton130121Palmeiras 0 x 2 River Plate: Abel Ferreira e Weverton se abraçam — Foto: Conmebol/Divulgação

Achou que seria fácil, torcedor do Palmeiras? Achou errado.

O 3 a 0 na ida poderia indicar uma tranquila classificação do Palmeiras para a decisão da Copa Libertadores. Porém, do outro lado, havia mais que um simples time, havia cultura de futebol. Um trabalho de mais de meia década, vencedor e poderoso. Não se poderia duvidar do River Plate de Marcelo Gallardo, e o elenco de Abel Ferreira flertou com uma tragédia digna de cinema. No fim, os créditos subiram com o sobrevivente vencedor.

A equipe palestrina resistiu no fim a uma das melhores versões do “Gallardismo” e está na final do principal torneio sul-americano. A obsessão pela segunda glória eterna segue viva, mais do que viva. O Palmeiras não está morto. Nem no ano passado. Nem neste ano.

Quase tudo o que deu certo na ida, na Argentina, deu errado na volta, no Allianz Parque. No espaço de uma semana, Marcelo Gallardo e o River Plate entenderam como superar o Palmeiras de Abel Ferreira, e assim fizeram durante os mais de 100 minutos de bola rolando na arena. Cem minutos que, para o torcedor palmeirense, devem ter durado 100 horas.

O resultado só não foi maior por circunstâncias que fugiram ao controle dos argentinos. Primeiro, antes de entrar em qualquer polêmica, Weverton. Se na ida, anotou um “gol” ao salvar o Palmeiras no início. Na volta, fez alguns “gols” que impediram o River Plate de zerar a vantagem construída pelo alviverde na ida.

Em seguida, o árbitro de vídeo. Todas as decisões acabaram corrigidas de maneira precisa, como a melhor versão exige. A tecnologia, alvo de tantos debates e protagonista até de (inacreditáveis) teorias da conspiração, auxiliou a arbitragem a anular um gol do River Plate por impedimento e a cancelar a marcação de dois pênaltis – o último já nos acréscimos, por posição irregular.

A noite de 12 de janeiro de 2021 está marcada na história do Palmeiras. Nenhum palmeirense vai esquecer o que viveu durante os 90 minutos em que a tragédia anunciada parecia questão de tempo. Mais do que a felicidade, o sentimento deve ser de alívio pelo retorno à final da Libertadores, após duas décadas.

Agora são duas semanas para recompor torcedor, time e comissão técnica. O Palmeiras de Abel Ferreira não é esse dominado completamente pelo River Plate, em momentos que pareciam dois times de rotações diferentes. O susto no fim das contas fica em segundo plano. Há uma sensação de que nada pode ser pior.

Na Libertadores, a cultura do resultado no fim pode pesar mais do que a cultura de um trabalho vencedor, poderoso e impressionante, como o de Gallardo. Na matemática, o Palmeiras fez três gols no River Plate, que respondeu com dois na terça-feira. Isso foi o suficiente para o torcedor alviverde, 20 anos e alguns meses depois, novamente comemorar uma vaga na final da América.

O que deu certo

Podemos pular essa parte. Ou, melhor, individualizar.

Ao contrário da cultura de Abel Ferreira, que geralmente evita comentários individuais sobre o desempenho dos jogadores, procurando analisar o coletivo, a noite de terça-feira teve um ponto positivo: Weverton.

Ter um goleiro de seleção brasileira fez a maior diferença para o Palmeiras. O abraço de Abel Ferreira e o reconhecimento de Gallardo, ambos no fim do jogo, simbolizam o tamanho da noite vivida pelo jogador no Allianz Parque.

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Gallardo cumprimenta Weverton após o confronto — Foto: Divulgação/Conmebol

O que deu errado

O Palmeiras repetiu a estratégia da ida, com uma defesa de bloco baixo formada por cinco homens (Gabriel Menino na lateral). Porém, dificilmente Marcelo Gallardo cairia na mesma armadilha duas vezes. O confronto no Allianz Parque teve o controle millonario, quase do apito inicial ao final.

O River Plate conseguiu controlar o jogo e achar os espaços mesmo diante dessa estratégia. Pelas laterais, com Montiel e Angileri, os argentinos ameaçaram constantemente uma insegura defesa palmeirense, ainda mais fragilizada com a lesão de Gustavo Gómez.

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Gustavo Gómez saiu lesionado e fez muita falta para o Palmeiras — Foto: Marcos Ribolli

No fim da partida, o River Plate finalizou 26 vezes, contra 6 do Palmeiras. O River Plate teve 10 escanteios a favor, contra 1 do Palmeiras. Nunca na história desse país (no caso, desde a reinauguração da arena), um clube exerceu tamanho domínio dentro da casa do time alviverde.

Psicologicamente, o Palmeiras aparentemente sofreu. A falta de experiência atacou no momento mais difícil e quase levou a equipe a uma eliminação histórica. O próprio Abel Ferreira admitiu que essa maior “cancha” favoreceu o River Plate na volta.

Cria-se uma casca importante, ainda mais diante de uma final em jogo único contra um antigo algoz continental (Boca Juniors) ou um rival estadual (Santos).

Próximos passos

O Palmeiras sequer terá muito tempo para baixar a guarda e refletir. Embora a decisão da Copa Libertadores esteja agendada para o dia 30, a equipe alviverde possui três compromissos importantes pelo Campeonato Brasileiro, que podem minar (ou retomar) a confiança do time no momento mais decisivo da temporada.

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Palmeiras tem três jogos difíceis para se recompor e retomar o alto padrão — Foto: Marcos Ribolli

Na sexta-feira, novamente no Allianz Parque, a equipe encara o Grêmio, em uma prévia da decisão da Copa do Brasil. Na segunda-feira, a arena recebe o Dérbi contra o Corinthians. Dia 21, o rival é o Flamengo, adversário direto na disputa por um lugar no G-4.

 

 

 

 

FONTE: https://globoesporte.globo.com/futebol/times/palmeiras/noticia/noticias-palmeiras-analise-derrota-river-classificacao-final-libertadores.ghtml

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